sábado, 15 de agosto de 2009

Verídico

Desse fato não ouvi falar, fui protagonista.

Você tem medo de assombração? Não mesmo?
Eu tampouco.
Mas também não é disso que vou falar, embora o cenário tenha sido o cemitério de Cachoeira Paulista, por volta de 1973.

Cumprindo o ritual, dia 02 de novembro, Finados, fomos àquele local acender velas às almas; entre uma visita e outra, passamos por sem número de túmulos; paramos para ver as lápides e apreciar as obras de arte em pedras e granitos.

Um anjo aqui, outro acolá, uma cruz, grades, cimentos, gramas, correntes, simples pinturas.

Eis que deparo com uma construção onde não existia placa, nem número, nenhuma identificação e de uma simplicidade mirabolante.

Na hora ainda comentei com minha esposa: olha que coisa inteligente, parece uma casa aconchegante que está sem dono, acho que ainda não tem morador e nem recebeu o habite-se.

Chegando na casa de meus pais para o tradicional café da tarde, comentei sobre o fato que me chamou a atenção e que quem a fez (ou mandou fazer) teria de ser uma pessoa muito inteligente, bem acima da média dos mortais.

Minha mãe indagou, onde fica? qual o formato? e o acabamento?

Descrevi-a.

Surpresa maior: (disse ela) “seu pai que mandou fazer”, é para nós, tem 6 gavetas.
E na época éramos seis.

Meu pai faleceu em 1976 e até hoje vive sozinho lá.

Não é uma coincidência incrível?

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